Ética e Política

Justiça

A justiça é o princípio que ordena relações humanas segundo o que é devido a cada pessoa. Ela pergunta como distribuir bens, responsabilidades, direitos, punições e reconhecimento sem reduzir a vida comum ao interesse do mais forte.

Filósofos centrais: Platão · Aristóteles · Agostinho · Tomás de Aquino · Kant · Rawls

O que é a justiça?

A definição clássica afirma que justiça é dar a cada um o que lhe é devido. Essa fórmula parece simples, mas abre uma pergunta decisiva: o que é devido a cada pessoa, e quem decide isso?

Na tradição filosófica, justiça não é apenas cumprir leis. Uma lei pode existir e ainda assim ser injusta. Por isso, a filosofia distingue justiça legal, justiça moral, justiça distributiva e justiça política. O problema não é apenas obedecer regras, mas perguntar se a ordem social distribui bem aquilo que torna uma vida humana possível.

Justiça é igualdade ou proporção?

A justiça exige tratar todos igualmente? Em parte, sim. Mas a igualdade pura pode ser injusta quando ignora diferenças relevantes. Aristóteles distingue justiça aritmética e justiça proporcional: em certos casos, pessoas diferentes devem receber coisas diferentes segundo mérito, necessidade ou função.

O debate moderno desloca essa questão para a sociedade inteira. Rawls pergunta quais princípios escolheríamos se não soubéssemos nossa posição social, talentos, riqueza, religião ou origem. Seu "véu de ignorância" tenta produzir uma ideia de justiça que não seja apenas a racionalização dos privilégios de quem já venceu.

De onde vem o conceito?

Na Grécia antiga, justiça estava ligada à ordem da pólis e da alma. Em Platão, uma cidade justa é aquela em que cada parte cumpre sua função; uma alma justa é aquela em que razão, coragem e desejo estão ordenados.

No mundo romano, a justiça ganha formulação jurídica. No cristianismo, ela se articula com a dignidade da pessoa, a caridade e a lei natural. Na modernidade, torna-se inseparável de direitos, contrato social, igualdade política e crítica das estruturas econômicas.

Como o conceito evolui?

Para Aristóteles, a justiça é a virtude completa em relação ao outro. Não basta ser bom individualmente; é preciso ordenar as ações de modo que a vida comum possa florescer.

Kant vincula justiça à liberdade externa: uma sociedade justa é aquela em que a liberdade de cada um pode coexistir com a liberdade de todos segundo uma lei universal.

Marx desloca o problema para as condições materiais: falar de justiça sem analisar propriedade, trabalho e exploração pode esconder relações reais de dominação. Rawls, por sua vez, tenta reformular a justiça liberal como equidade institucional.

Quem pensou justiça?

Platão

Vê a justiça como harmonia da alma e da cidade. Uma sociedade justa é aquela em que cada parte ocupa seu lugar sob direção da razão.

Aristóteles

Distingue justiça distributiva, corretiva e legal, e define justiça como virtude voltada ao outro.

Tomás de Aquino

Relaciona justiça, lei natural e bem comum, integrando tradição aristotélica e teologia cristã.

Kant

Pensa a justiça como condição jurídica da coexistência das liberdades.

Marx

Questiona a justiça formal quando ela encobre exploração material.

Rawls

Formula a justiça como equidade a partir do véu de ignorância e dos princípios de liberdade e diferença.

Justiça e conceitos próximos

Justiça × LeiA lei é uma norma positiva. Justiça é o critério pelo qual avaliamos se essa norma é legítima ou injusta.
Justiça × IgualdadeIgualdade é tratar pessoas do mesmo modo; justiça pergunta quando essa igualdade é adequada e quando precisa considerar diferenças.
Justiça × MéritoMérito distribui segundo desempenho; justiça também pode considerar necessidade, vulnerabilidade e condições de partida.
Justiça × CaridadeCaridade é ajuda voluntária; justiça é obrigação objetiva ligada a direitos, deveres e instituições.

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Cinco pontos essenciais

  1. Justiça não é apenas cumprir leis; é avaliar se a ordem das relações dá a cada um o que lhe é devido.
  2. Platão pensa justiça como harmonia da alma e da cidade; Aristóteles como virtude voltada ao outro.
  3. A justiça pode ser distributiva, corretiva, legal, social ou política.
  4. Rawls propõe imaginar princípios escolhidos sob véu de ignorância para evitar privilégios de posição.
  5. Toda discussão séria sobre política, direito e economia pressupõe uma ideia de justiça.
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