Revolução Neolítica
Quando o ser humano deixou de apenas seguir a natureza e começou a organizá-la
Nenhuma transformação anterior na história humana mudou tanto, em tão pouco tempo geológico, a relação entre o ser humano e o mundo que o rodeia. A Revolução Neolítica não é apenas a invenção da agricultura — é a invenção da ideia de que a natureza pode ser administrada, armazenada e possuída, e é exatamente essa ideia que torna possível, séculos depois, perguntas filosóficas sobre propriedade, justiça e poder.
Contexto histórico
Entre aproximadamente 10.000 e 4.500 a.C., grupos humanos em diferentes regiões do mundo — do Crescente Fértil ao Vale do Indo, da China ao Mesoamérica — passam, de forma independente, da caça-coleta nômade para a domesticação de plantas e animais. Essa mudança exige (e permite) sedentarização: comunidades passam a viver no mesmo lugar por gerações, o que cria excedente alimentar, e excedente cria a possibilidade inédita de algumas pessoas não produzirem comida diretamente.
Importância filosófica e civilizacional
É no excedente agrícola que nasce a divisão do trabalho, e na divisão do trabalho que nascem hierarquia e propriedade — as duas condições materiais sem as quais toda a filosofia política posterior (de Platão a Marx) simplesmente não teria objeto. A Revolução Neolítica não resolve nenhuma pergunta filosófica; ela cria as circunstâncias históricas que tornam essas perguntas inevitáveis.
Tópicos principais
- Domesticação de plantas (trigo, cevada, arroz, milho, segundo a região)
- Domesticação de animais e seu papel na força de trabalho e alimentação
- Sedentarização e o fim da migração constante como padrão de vida
- Surgimento das primeiras aldeias e, depois, das primeiras cidades
- Excedente alimentar como condição para a divisão do trabalho
- Origem da propriedade da terra e das primeiras hierarquias sociais
Conclusão
O excedente agrícola concentrado em poucos lugares produz, em algumas regiões, civilizações urbanas complexas com escrita, lei e religião institucionalizada — a Mesopotâmia é a primeira que esta Enciclopédia examina.
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