Enciclopédia da História Humana · 02/10

Revolução Neolítica

Quando o ser humano deixou de apenas seguir a natureza e começou a organizá-la

Nenhuma transformação anterior na história humana mudou tanto, em tão pouco tempo geológico, a relação entre o ser humano e o mundo que o rodeia. A Revolução Neolítica não é apenas a invenção da agricultura — é a invenção da ideia de que a natureza pode ser administrada, armazenada e possuída, e é exatamente essa ideia que torna possível, séculos depois, perguntas filosóficas sobre propriedade, justiça e poder.

Contexto histórico

Entre aproximadamente 10.000 e 4.500 a.C., grupos humanos em diferentes regiões do mundo — do Crescente Fértil ao Vale do Indo, da China ao Mesoamérica — passam, de forma independente, da caça-coleta nômade para a domesticação de plantas e animais. Essa mudança exige (e permite) sedentarização: comunidades passam a viver no mesmo lugar por gerações, o que cria excedente alimentar, e excedente cria a possibilidade inédita de algumas pessoas não produzirem comida diretamente.

Importância filosófica e civilizacional

É no excedente agrícola que nasce a divisão do trabalho, e na divisão do trabalho que nascem hierarquia e propriedade — as duas condições materiais sem as quais toda a filosofia política posterior (de Platão a Marx) simplesmente não teria objeto. A Revolução Neolítica não resolve nenhuma pergunta filosófica; ela cria as circunstâncias históricas que tornam essas perguntas inevitáveis.

Tópicos principais

Conclusão

O excedente agrícola concentrado em poucos lugares produz, em algumas regiões, civilizações urbanas complexas com escrita, lei e religião institucionalizada — a Mesopotâmia é a primeira que esta Enciclopédia examina.

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